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Do caos ao conhecimento

Milhares de dados pontuais, obtidos das mais variadas fontes, em formatos diversos e isolados em ilhas, subitamente se organizam e mostram cada detalhe de uma linha de produção, influenciando toda a organização. Isso já vem ocorrendo, com frequência crescente, em empresas de saneamento. O nome da mágica é PIMS. Veja como essa tecnologia revolucionária muda radicalmente a forma como você vê, organiza e trabalha o seu negócio

Modelar dados. A expressão é corriqueira em ambientes de Engenharia de Processos, mas mesmo gestores industriais tarimbados se vêem embatucados com a dimensão que hoje ganharam os cada vez mais sofisticados sistemas PIMS, as verdadeiras fábricas virtuais de modelação de dados que permitem antever o futuro, destrinchar o passado e agir com precisão no presente em instalações de processos contínuos, a exemplo da indústria química e das plantas de produção de água e saneamento. Vários novos projetos desenvolvidos pela Vector vêm incluindo essa tecnologia fantástica, que permite inclusive trazer para a realidade o velho sonho da integração dos pontos mais remotos de uma rede de tratamento de esgoto, por exemplo, ao sistema de gestão corporativa. O que isso já vem proporcionando às empresas é uma revolução sem precedentes. Mas o que mesmo é esse tal de PIMS?

PIMS significa Process Information Management System. Sua história remonta a anos atrás, com início na indústria química. Os sistemas de gerenciamento de informações de processos nasceram da necessidade de entender o caos. Imagine uma receita de bolo em que, no lugar de farinha e ovos, entram milhares de ingredientes e, para piorar, em uma seqüência que não pode ser quebrada e com temperaturas variadas para assar cada camada do recheio. Basta um ventinho para que o bolo não cresça. A questão para a doceira às voltas com o bolo solado, muitas vezes, é saber se a culpa foi mesmo do ar frio entrando no forno – ou será que da quantia de fermento, sua data de validade, a qualidade do leite ou ainda o tipo de farinha? Quanto mais variáveis na receita do bolo, pior é descobrir o que deu errado – ou o que poderia tornar o confeito mais macio e saboroso.
A indústria de processos químicos contínuos é uma versão mais complexa, bem mais, dessa doceria. Os engenheiros, para entender como cada ingrediente se comporta ou afeta (muitas vezes em cascata) a receita, começaram a criar formas de medir o máximo possível de variáveis durante o processo – e conseguiram maneiras de capturar um verdadeiro caminhão de dados minuciosos. Ironicamente, foi aí que a coisa ficou feia. Que fazer com dezenas de milhares de dados os mais diversos, em formatos diferentes, de variáveis as mais estranhas? Estava criado o caos – dados e mais dados de todas as cores e qualidades, mas sem orquestração lógica no todo, com lógica apenas, e se tanto, em pequenas ilhas.

O final feliz da história começou com o desenvolvimento dos primeiros softwares de PIMS. Por meio de seus intrincados algoritmos, sistemas PIMS conseguem transformar dados caóticos em informações e, com um pouco mais de esforço, informações em conhecimento. A mágica é pegar grandes punhados de dados fragmentados e unificá-los dentro do cenário do processo em que foram gerados. O PIMS funciona como um historiador de processos que, além de guardar e organizar dados, também permite, por meio de aplicativos complementares, cruzar informações históricas e atuais.

Informação concentrada
O PIMS pega ilhas de dados, isoladas e espalhadas pela planta, e as transforma em um arquipélago de informação concentrada. Qualquer coisa que possa ser reduzida ao formato usado no sistema é bem aceita por ele – e processada. Valem desde dados de temperatura de um motor capturados lá longe por um sensor remoto até fotos, áudio, tabelas, gráficos de tendência, nível de chuva ou o que mais seja, vindos de fontes tão diversas quanto um Controlador Lógico Programável, uma rede de computadores de campo ou um sistema supervisório de automação. Para ele, tanto faz – é um liquidificador inteligente que, em lugar de fragmentar, cola as partes.

A grande sacada do PIMS é ter, ao lado dessa multiplicidade, a leveza operacional de funcionar em estações de trabalho convencionais, sem necessidade de rodar nos caros mainframes. Isso significa custo mais baixo para a empresa e maior flexibilidade para o pessoal de engenharia. A bordo de um PIMS, um especialista em processos quase que só precisa de seu computador para visualizar uma planta de produção de água completa com dados e informações em tempo real, cruzando coisas que ocorreram no passado em determinadas áreas com outras que estão acontecendo bem agora – e prevendo tendências de forma acurada. Para uma hidrelétrica, por exemplo, o PIMS dá informações que permitem saber quanto se terá de eletricidade para venda no mercado futuro, levando em conta o regime de chuvas, o nível do rio e de afluentes e outros punhados de variáveis. Pode ser a diferença entre ter ou não um negócio rentável.

Além disso, os PIMS são integráveis a outros sistemas – a exemplo dos MES, que fazem a junção dos equipamentos de controle de produção, e dos ERPs, da ponta de gestão empresarial de alto nível. O bacana é que, apesar de sua sofisticação, a base dos PIMS é de uma simplicidade espartana. Eles armazenam dados em tabelinhas com algumas poucas colunas – uma das quais é a identificação do dado e outra o momento em que foi gerado. A partir daí, vale quase tudo – texto puro, objetões binários chamados Blobs (em que entram vídeos, fotos etc) e dados de todos os tipos capturados por instrumentos de medição, com predileção por variáveis analógicas.

Na prática, tudo isso significa que o engenheiro de processos pode por meio de seu PIMS pegar uma grande massa de informações históricas de uma planta e outro grande bocado de informações atuais para comparar, buscando respostas a questões que podem fazer toda a diferença – por exemplo, “quanto exatamente de cloro foi adicionado ontem às 14h no ponto xpto?” e “qual era a velocidade da água no quarto filtro quando a motobomba ameaçou pifar?”. Com respostas a questões assim, é claro que bem mais complexas, a mágica mostra suas luzes – e a bagunça, afinal, vira informação fina, pronta a afetar positivamente o negócio como um todo por meio de saídas como gráficos de tendências, planilhas do Excel, informações para alimentar bancos de dados relacionais e até sinópticos com animação em tempo real, visualizáveis via internet.

Isso pode soar como bastante, mas não é. Esses sistemas vão bem mais longe. Tanto que não cabem aqui, nesse espaço. Uma dica para qualquer gestor interessado em avançar a automação até seus limites: converse com seu pessoal técnico a respeito, ou veja com os engenheiros da Vector onde sistemas PIMS vem sendo aplicados. Pode ter certeza: em algum momento você vai ver a luz.


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