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Crédito: Daniel Nek / Ministério da Integração Nacional
Canal no Lote 1

Automação testada – e aprovada – na Integração do "Velho Chico"

Responsável pela implantação de Sistema Digital de Supervisão e Controle e do Sistema de Telecomunicações nos dois eixos da Integração do Rio São Francisco, obra que vai beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 municípios no semiárido do Nordeste Setentrional, a Vector Engenharia fez os primeiros ensaios do sistema responsável pela automatização deste grande projeto hidrográfico.

 

 

A água a ser transposta da bacia do rio São Francisco para diversas bacias da região nordeste será conduzida através de dois principais eixos: O Norte e o Leste. Os dois eixos se espalham por uma área de mais de 100 mil quilômetros quadrados e atingem diretamente 153 municípios, beneficiando de forma indireta 390 municípios. A implantação dos eixos norte e leste irá gerar, além da construção de aproximadamente 8.000 km de canais e ramais, diversos reservatórios, açudes, estações de bombeamento, condutos em tubulação e em concreto armado e, consequentemente, a instalação de diversos equipamentos relacionados ao bombeamento, geração de energia elétrica e de operação e monitoração do sistema. Para integrar, monitorar e controlar todo o sistema e, acima de tudo, a qualidade da água a ser distribuída, é necessário a implantação de um sistema de alta tecnologia. E foram esses sistemas de alta tecnologia – automação – que a Vector Engenharia desenvolveu e já testou, em bancada, para o Projeto de Integração do Rio São Francisco.

A Vector implantará sistemas de automação nos dois eixos. Antes, porém, é necessário testá-los. Ainda mais quando se trata de extensões e vazões tão grandes. A equipe da Vector Engenharia colocou todo seu projeto para funcionar no mês de dezembro passado. E, é claro, todo teste tem um bom motivo. "Experimentamos o sistema o levando a seus limites, de tal forma que a gente não tenha surpresas em campo", explica Herivelto Bronzeado, Coordenador Geral de Obras Eletromecânicas do PISF (Projeto de Integração do Rio São Francisco).

Impacto social

Fugindo um pouco do cerne tecnológico do projeto, a Integração do Rio São Francisco tem um impacto social extremamente importante para a região. “Só quem é nordestino pode saber a importância de levar água a quem tem sede”, comenta Herivelto Bronzeado, Coordenador Geral de Obras Eletromecânicas do Projeto de Integração.

O Nordeste é a região que mais cresce e se desenvolve no país. Segundo os últimos dados do IBGE, entre 2002 e 2010 a região registrou crescimento real em seu PIB de 36,95%, contra 32% do Brasil, e, de acordo com especialistas, deve manter o ritmo de crescimento no patamar de 7% ao ano. Com isso, um projeto desse quilate é salutar para acompanhar o crescimento da região.

“Quem conhece o sertão e vê aquelas caveiras de burro, de vaca, de bode, de gado... Ver seu bem – o bem do sertanejo são seus animais, sua criação – morrer de sede, não é fácil. Só quem sabe a realidade nordestina vai entender exatamente a importância deste projeto”, afirma Herivelto.

Para Herivelto, o Projeto da Integração do Rio São Francisco tem como meta desenvolver a região Nordeste e diminuir sua diferença com as regiões mais ricas do país. Além disso, Herivelto aposta na diminuição do êxodo da região sertaneja. “Água é vida. Com o projeto pronto, a expectativa é de desenvolvimento da região. Inclusive, diminuindo o êxodo da região para grandes centros urbanos”, explica.

No entanto, o Coordenador de Obras Eletromecânicas diz que o Projeto é um começo e que muita coisa ainda precisa ser feita, principalmente por estados e municípios. “Não é só levar a água até os locais. Os estados precisam compreender a importância disso e também investir em infraestrutura. O que nós estamos fazendo é o atacado. Agora, os estados precisam se responsabilizar pela distribuição dessa água. Sem isso, o projeto não terá sucesso”, alerta Herivelto.

A Vector Engenharia acompanha de perto a obra de Integração e, ao conhecer a realidade do sertão nordestino, Devanir Pereira, Diretor Técnico da empresa, entende que os ganhos sociais e de desenvolvimento superam qualquer custo de implantação. “Hoje, de fato, acredito que esta obra será um marco para o país e uma verdadeira integração nacional ”, salientou.

Atingir a meta determinada pela Presidenta Dilma – efetuar a primeira EBV até dezembro de 2012 – é questão de honra tanto para a diretoria da Vector quanto para seus colaboradores e parceiros. E não haverá impedimentos, devido ao comprometimento de todos envolvidos no projeto.

O teste era parte do cronograma já acertado entre o Ministério da Integração – responsável pelo Projeto – e pela Vector. Para Claudir Costa, Analista da Infraestrutura e Gestor de Contratos do Ministério da Integração, visualizar o sistema em funcionamento é a certeza da sequência de etapas. "O importante é ver a evolução do projeto, principalmente quando nela notamos a qualidade do serviço executado. Dá segurança quando formos para campo", explicou Claudir.

A automação é, sem dúvida, um dos principais ingredientes deste projeto grandioso, que envolve uma série de empresas, desde projetistas, empreiteiras, supervisores e fornecedores dos mais variados equipamentos elétricos e mecânicos. E a automação tem a função de fazer a integração desses equipamentos, permitindo o comando e a monitoração das estruturas, como estações de bombeamento, comportas, tomadas d’água e válvulas, entre outras.

Controle Estratégico

"A Vector é fundamental para que em um ponto único – o Centro de Operação – estejam todas as informações, os comandos. O atendimento às comunidades e o planejamento para disponibilizar água são definidos através de uma programação, por isso a importância dessas informações captadas ao longo dos canais", exemplifica Helena Pinheiro, Engenheira Eletricista, Supervisora do Sistema de Automação – Gerenciadora do PISF.

Além disso, Helena Pinheiro também destaca a importância da automação quando o assunto são as falhas nos equipamentos. "A extensão da obra é muito grande, são 300 km no eixo leste - isto é, 300km que devem ser percorridos e atendidos. É fundamental que as informações estejam disponíveis, inclusive nos pontos mais estratégicos, como no Ministério", explica.

Para Claudir, um dos principais problemas do projeto é a integração – não a do rio São Francisco, mas entre as equipes, as pessoas. Segundo ele, o Ministério tem trabalhado visando não apenas o escopo original do projeto, mas também o futuro operador do sistema. Para isso, pensa-se em todas as possibilidades de integração – seja no momento atual ou com equipamentos e até possíveis problemas futuros. Com 20 anos de experiência na área de sistemas de automação, a Vector tem dado apoio a essa integração e mostrado o caminho das pedras para que a obra funcione da melhor forma possível.

"Pela sua expertise em outros contratos, a Vector tem nos dado luz de como trabalhar. Temos um projeto executivo, básico, mas ao mesmo tempo, dentro da flexibilidade possível, pensamos nas questões de integração, de protocolos de comunicação que já são conhecidos do ponto de vista internacional", explica Claudir.

A ideia é sempre evoluir e deixar o sistema receptível a tecnologias ainda não aplicadas, mas que podem vir a ser utilizadas na obra. "Queremos deixar o sistema mais abrangente possível, para que outras tecnologias possam ser integradas ao projeto no futuro ou quando necessário", diz Claudir.

Outro ponto importante da automação é destacado por Helena Pinheiro. Segundo ela, a empresa responsável pelo sistema de automação precisa estar sempre presente e pronta a atender, já que fornecerá serviços à obra por longo período. " É sempre importante que caminhe (a empresa que fornece o sistema de automação) junto com os fornecedores. A obra termina, o empreiteiro e o projetista vão embora, mas a automação fica. Acaba o contrato de operação, mas vai sempre precisar de uma relação para manutenção, expansão", pontua a engenheira.


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