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Crédito: Portal do Ministério da Integração NacionalIntegração do "Velho Chico": água para quem precisa

Durante muito tempo se discutiu formas para amenizar o sofrimento do semi-árido e sertão nordestino. Algumas medidas foram tomadas durante os anos. No entanto, tornou-se rotineiro assistirmos dolorosas imagens de seca, sede e morte. Para mudar esse cenário, o governo Federal criou, em 2003, um Grupo de Trabalho Interministerial, coordenado pelo então Vice-Presidente José Alencar, para procurar alternativas viáveis que levassem água até as regiões mais secas do nordeste. Muitas alternativas foram consideravas, como a exploração de águas subterrâneas, a dessalinização e reutilização de águas, construção de cisternas ou transposição do Rio Tocantins. Entretanto, a alternativa mais viável, segundo o Grupo Interministerial, foi a Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (região situada ao norte da bacia do São Francisco, que engloba os Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, o agreste de Pernambuco e parte de Alagoas). Algumas das opções não escolhidas como principais também fazem parte do projeto de Integração: cisterna e poços estão previstos no projeto. A Integração será concebida através de dois canais (eixos Leste e Norte) que rasgarão o semi-árido do nordeste setentrional levando água para aproximadamente 12 milhões de pessoas até 2025. A Vector Engenharia será responsável pela implementação de Sistema Digital de Supervisão e Controle e do Sistema de Telecomunicações nos dois eixos desta gigantesca obra.



O A Região Nordeste possui apenas 3% da disponibilidade de água e 28% da população brasileira, o que representa um grande irregularidade na distribuição dos recursos hídricos. O rio São Francisco representa 70% de toda a oferta regional de água, o que o torna a principal fonte da região. Devido à irregularidade na distribuição hídrica e a forte desigualdade nas densidades demográfica, o Semi-árido brasileiro se divide em dois:

- Semi-árido da Bacia do São Francisco: possui 2.000 a 10.000 metros cúbicos de água anualmente por habitante disponível em rio permanente

- Semi-árido do Nordeste Setentrional: pega parte do estado de Pernambuco e os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, e conta com aproximadamente 400 metros cúbicos de água anualmente por habitante, vindos de açudes construídos em rios intermitentes e em aqüíferos com problemas em relação à qualidade e quantidade de suas águas.

De acordo com a ONU, a disponibilidade hídrica mínima necessária para garantir o suprimento de água para os diversos usos é de 1500 metros cúbicos por habitante anualmente. Quantidade muito elevada quando comparada aos números do Semi-árido do Nordeste Setentrional.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, um empreendimento do Governo Federal, conduzido sob a tutela do Ministério da Integração Nacional, prevê até 2025 assegurar a oferta de água a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios do Semi-árido do Nordeste Setentrional. A integração será feita através de bombeamento de água a partir de duas captações no Rio São Francisco. Essa água será conduzida para as seguintes bacias dos rios temporários da região: Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas na Paraíba. Assim, otimizando o abastecimento de água na região, minimizando e compensando os efeitos da seca.

Houve muita discussão sobre os rumos do “Velho Chico” após o anúncio do Projeto de Integração. Alguns diziam que o rio seria o principal prejudicado. No entanto, vamos aos números: a integração do São Francisco às bacias dos rios temporários será realizada com a retirada contínua de 26,4 metros cúbicos por segundo de água, o equivalente a apenas 1,42% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho. Do total, 16,4 metro cúbicos de água por segundo seguirão para o Eixo Norte e 10 metros cúbicos por segundo para o Leste.

Os Eixos

Toda a água retirada do rio São Francisco será levada para as localidades atendidas pelo Projeto através de dois canais: o Eixo Norte e o Eixo Leste. Em uma área de 110 mil quilômetros quadrados, referentes a 153 municípios, existiam 22 traçados possíveis para os canais, e esses trajetos se mostraram eficientes e flexíveis por permitir o fornecimento de diferentes volumes de água, podendo haver mudanças no abastecimento de acordo com a necessidade de cada Estado.

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O Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional prevê, até 2025, assegurar a oferta de água a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios.


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Os canais foram construídos na forma trapezoidal, revestidos internamente por membrana plástica impermeável e com recobrimento de concreto. Aquedutos foram construídos nos trechos de travessia de rios e riachos. Túneis para a ultrapassagem de áreas com altitude mais elevada também fizeram parte do projeto.

O Eixo Norte compõe-se de 5 trechos e a partir da captação no rio São Francisco, perto da ilha Assunção, município de Cabrobó (PE), percorrerá cerca de 402 km, conduzindo água aos rios Salgado e Jaguaribe, no Cerará; Apodi, no Rio Grande do Norte; e Pirnhas-Açu, na Paraíba e Rio Grande do Norte. Além dos rios, ao cruzar o estado de Pernambuco, este eixo abastecerá municípios contidos em 3 sub-bacias do rio São Francisco: Brígida, Terra Nova e Pajeú. Para atender a região de Brígida, em Pernambuco, um ramal de 110km foi construído para que parte da vazão do eixo abasteça os açudes Entre Montes e Chapéu.

O Eixo Norte operará com uma vazão contínua de 16,4 metros cúbicos por segundo. Em períodos de escassez de água nas bacias receptoras e abundâncias no São Francisco, as vazões poderão atingir a capacidade máxima de 99 metros cúbicos por segundo. Volumes excedentes de água serão armazenados em reservatórios existentes nas bacias receptoras: Atalho e Castanhão, no Ceará; Armando Ribeiro Gonçalves, Santa Cruz e Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte; Engenheiro Ávidos e São Gonçalo, na Paraíba; e Chapéu e Entre Montes, em Pernambuco.

O relevo pode se tornar um problema na captação e abastecimento de água. Para isso, o Eixo Norte receberá 3 estações de bombeamento (EBI-1, EBI-2 e EBI-3), com duas unidades cada, com elevação total de 180m. As motobombas são de eixo vertical, motores síncronos 6,9 KV, 60Hz, e equipamentos de partida suave e subestações correspondestes.

Além disso, o Eixo Norte conta com 8 estruturas de controle com duas comportas nos reservatórios, 12 tomadas d’água com dois condutos para válvula dispersoras e saídas de usos difusos em barragens e 23 estruturas de captação de água, por meio de bombas flutuantes instalados ao longo do canal para abastecimento de comunidades lindeiras.

Crédito: Daniel Nek / MIO Eixo Leste corresponde a um único trecho da Integração e terá sua captação no lago da barragem de Itaparica, município de Floresta (PE), e percorrerá cerca de 220 km até o rio Paraíba (PB). Neste caminho, este eixo deixa parte da sua vazão nas bacias de Pajeú, do Moxotó e da região agreste de Pernambuco. Para atender o agreste pernambucano, o Projeto prevê a construção de um ramal de 70km que ligará o Eixo Leste à bacia do rio Ipojuca.

Com uma vazão contínua de 10 metros cúbicos por segundo e a máxima, em época de abundância de água no São Francisco e falta nas regiões beneficias, de 28 metros cúbicos por segundo, o canal terá seu excedente hídrico armazenado em reservatórios existentes nas seguintes bacias receptoras: Poço da Cruz, em Pernambuco, e Epitácio Pessoa (Boqueirão), na Paraíba.

Assim como no Eixo Norte, o Leste também sofre com o problema de relevo. Para isso, 6 estações de bombeamento (EBV-1 a EBV-6) estão sendo implantadas, com duas unidades cada, com elevação total de 300m. As motobombas são de eixo vertical, motores síncronos 6,9 KV, 60Hz, e equipamentos de partida suave e subestações correspondestes.

O Eixo Leste também contará com 9 estruturas de controle com duas comportas em alguns reservatório, 1 estrutura de controle de tomada d’água da adutora de Monteiro, 12 tomadas d’água com dois condutos para válvulas dispersoras e saídas de usos difusos nas barragens e 30 estruturas de captação de água por meio de bombas flutuantes instaladas ao longo do canal para abastecimento de comunidades lindeiras.

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