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Resultados do protocolo agroambiental

Por Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

Agronegócio do estado de São Paulo comemora resultados para lá de positivos com medidas adotadas para tornar o setor canavieiro mais ambientalmente sustentável. Com 85% das usinas paulistas assinando o Protocolo Agroambiental, economia de água chega a 48 bilhões de litros em 1 ano, 25% das matas ciliares já estão declaradas e protegidas e há grandes ganhos no controle de emissão de CO2.

Os resultados do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, divulgados mês passado em São Paulo, são uma satisfação à sociedade sobre as medidas adotadas pelo agronegócio da cana para a produção sustentável. É importante que essas informações sejam divulgadas porque vira e mexe o setor é colocado na berlinda, como se estivesse à margem de todas as discussões e esforços pela sustentabilidade.

O Protocolo Agroambiental recebeu a adesão da Unica, representando as unidades industriais, em junho de 2007. Oitenta e cinco por cento das usinas paulistas são signatárias. Em março de 2008, foi a vez dos produtores independentes de cana, representados pela Orplana, assinarem o acordo. O protocolo estabelece uma série de ações a serem adotadas pelo setor produtivo e acompanhadas e avaliadas pelo governo do Estado.
Entre as medidas mais importantes está a antecipação do prazo para a eliminação da queima da cana. Para as áreas onde é possível o tráfego das colhedoras, o prazo para a eliminação, que estava estabelecido em legislação estadual como sendo 2021, passou para 2014. Já para as áreas cujo relevo ainda não permite a entrada das máquinas, o prazo foi antecipado de 2031 para 2017.

Ao longo de dois anos de vigência, o protocolo produziu avanços importantes. Houve, por exemplo, um salto em relação à mecanização. Na safra 2006/07, dos 3,2 milhões de hectares cultivados em São Paulo, 1,1 milhão foram colhidos com máquinas. Ou seja, em média, a mecanização em São Paulo representou 34,1%. Já nesta safra 2009/10, 53,8% da cana foi colhida crua, sem uso do fogo. Em regiões tradicionais, como a de Ribeirão Preto, esse índice é maior.

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Apenas 3 fatores da contribuição do setor à sustentabilidade evitarão a emissão de 62,5 milhões de toneladas de CO2

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Outro resultado bastante positivo é que 25% das matas ciliares totais do Estado de São Paulo estão declaradas e protegidas pelo setor canavieiro. Além disso, houve investimentos importantes na gestão de recursos hídricos pelas usinas e de um ano para outro a economia de água chegou a 48 bilhões de litros.

Também foi feita uma estimativa sobre a contribuição do setor para a redução das emissões de gases causadores do aquecimento global até 2017 em três frentes: emissões evitadas pela antecipação voluntária do fim da queima, emissões mitigadas pela co-geração a partir da palha, estoque de carbono devido à recuperação voluntária e regeneração natural das matas ciliares.

Segundo estudo da Unica, somados, os três fatores evitarão que 62,5 milhões de toneladas de CO2 sejam emitidas até 2017. Em 2008, por exemplo, dado mais recente, a agricultura emitiu 72 milhões de toneladas por ano de CO2.

Esses são apenas os resultados mais importantes nesses dois anos de vigência do acordo. Eles demonstram que os elos da cadeia produtiva, entre eles os produtores rurais, estão levando a sério os termos do protocolo e investindo para cumpri-los. O setor sucroenergético, dado seu grau de profissionalização e inserção no comércio internacional, sabe que a sustentabilidade – conceito que pressupõe que o crescimento esteja atrelado à justiça social e equilíbrio ambiental - é fator determinante para a abertura e manutenção de mercados.


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* Manoel Carlos de Azevedo Ortolan é presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo).


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